Escrito por: Suzy Devoz
29 abr 10

História do Vestido de noiva

O vestido de noiva é um dos signos mais emblemáticos do casamento, refletindo os costumes de um povo e simbolizando, de modo deslumbrante, o amor do casal. 

Um traje especial para um dia não menos importante. Independente da conotação – amorosa, comercial, familiar ou religiosa, o casamento é uma das ocasiões mais importantes na vida do casal. E para a mulher a escolha do traje sempre esteve ligada à importância que se da para esta cerimônia. A expressão “vestido de noiva”, segundo alguns historiadores, surgiu na Idade Média. Mas mesmo sem ter a consciência de uma peça exclusiva para esta data, as mulheres, já nos relatos bíblicos, sempre estiverem preocupadas em como se apresentar para a sua comunidade. 

Os relatos históricos mais antigos que se têm notícia são da Grécia, onde as mulheres se vestiam de branco e usavam uma coroa, pois deste modo, quando estavam a caminho da casa do noivo, recebiam as bênçãos de Himeneu, o deus do casamento. O rosto também era coberto com véu (que protegia da inveja, mau olhado e a cobiça de outros homens) e a jovem carregava uma tocha (símbolo do deus). 

Noiva grega

Foram com os romanos civilizados que surgiu a concepção de se criar trajes inéditos e diferenciados para a cerimônia do casamento. As romanas vestiam uma túnica branca e se envolvia com um véu de linho muito fino de cor púrpura, que levava o nome de flammeum. Nos cabelos, tranças ornadas com flores de verbena. 

Escultura figurativa de uma noiva romana e acompanhantes

Após a queda do Império Romano a referência passou a ser a corte bizantina, onde as noivas se casavam com sedas vermelhas bordadas em ouro e traziam no cabelo tranças feitas com fios dourados, pedras preciosas e flores perfumadas. 

Na Idade Média a consolidação do cristianismo impôs ao matrimônio uma carga religiosa sacra, que perdura, em parte, até os dias de hoje. Surge o vestido de noiva, propriamente dito, com uma simbologia de poder e com uma função social determinada. A noiva era apresentada à sociedade com todas as suas jóias – broches, tiaras, braceletes, vários colares e muitos anéis (podendo ser mais de um em cada dedo), com um vestido vermelho ricamente bordado e sobre a cabeça um véu branco bordado com fios dourados. O vermelho remetia à capacidade da noiva de gerar sangue novo, dando continuidade ao clã, e o véu falava da sua castidade. 

Avançando um pouco mais na história, chegamos às noivas burguesas, de uma classe recém criada e que queriam mostrar todo o seu poderio frente à nobreza. Ela era mostrada com o ventre saliente, demonstrando a sua capacidade de procriar. 

Casal Arnolfini, tela mais famosa do pintor Jan van Eyck, que para muitos historiadores registra um matrimônio burguês

Já a noiva do Renascimento, em conseqüência da ascensão da burguesia mercantil, passou a se apresentar com mais luxo, em vestidos de veludo e brocado, ostentando o brasão de sua família e as cores da família de seu noivo. 

E neste momento entra em cena a thiara, que passa a ser um adereço obrigatório, antecedendo a conhecida grinalda dos dias de hoje. Uso de anéis era importante para demonstrar o poder financeiro do novo casal. 

A corte católica espanhola, no final do Renascimento, determina o preto como cor correta a ser usada, como sinal de moral religiosa. No sul do Brasil sob influência da imigração alemã e em outras regiões do interior do país, as famílias guardam retratos de noivas que, até por volta de 1910, casavam de negro. 

Mas o interessante é que neste período, de imposição de um tom escuro para as noivas, é que surge o tradicional vestido branco, vigente até os dias de hoje, reinando absoluto como sinal de bom gosto e elegância. 

Existem três teorias para o surgimento do branco. Uns afirmam que a primeira a se vestir de branco foi a italiana Maria de Médici, que aos catorze anos se casou com o herdeiro do trono francês, Henrique IV. Era católica, mas não concordava com a estética religiosa, e escolheu um brocado branco para demonstrar toda a exuberância de sua corte. Mas o grande efeito foi causado pelo decote quadrado com o colo à mostra. “Rica veste branca, ornada em ouro, que mostrava o candor virginal da noiva” – foram as palavras escolhidas por Michelangelo Buonarote, grande artista da época, para descrever o vestido. 

Casamento de Maria de Médici e Henrique IV por Peter Paul Rubens

Para outros historiadores a pioneira foi a rainha Mary Stuart, da Escócia, que escolheu o branco em homagem à família Guise, se sua mãe, que tinha a cor branca no brasão. Isto no Século XVI. 

Uma terceira corrente afirma que a rainha Vitória da Inglaterra passou a ditar moda após se casar com o príncipe Albert, no século XIX, com um esplendoroso traje, com vestido e véu brancos e sem coroa, o que foi inédito. Vale dizer que de todos os casamentos históricos citados este foi o único que aconteceu pela existência de um amor recíproco e por ser rainha foi ela quem pediu o amado em casamento. E não a nada mais vitoriano do que o vestido bolo-de-noiva. 

Casamento da Rainha Vitória da Inglaterra

No período Rococó os vestidos passaram a ser confeccionados com tecido brilhantes, brodados com pedrarias, com babados de renda nas mangas e decotes. As cores prediletas eram as florais em tons pastel. Peculiarmente as noivas usavam um peruca conhecida como Pouf de Sentimento, onde era colocado um cupido, o retrato do noivo, frutas e verduras que representavam a abundância para o novo lar. 

A discrição e o puritanismo chegou com a Revolução Francesa. Ao traje branco, símbolo do caráter e da pureza virginal da noiva, ganhou acessórios: véu branco e transparente, significado de sua castidade, preso à cabeça por uma guirlanda de flores de cera. O linho, a lã e os tecidos opacos passam a ser mais adequados. 

Desde então o traje nupcial é branco, sendo que as variações existentes acontecem no formato, corte e volume, de acordo com a moda corrente. Não podendo deixar nunca de ser o mais luxuoso que uma mulher usará em toda a sua vida. 

O papa Pio IX declarou que as noivas deveriam usar o branco como símbolo da Imaculada Conceição, do mesmo modo de Maria, a Imaculada. A noiva do Romantismo passa também a usar um adereço de mão, que poderia ser um terço ou livrinho de orações. Com o Iluminismo, no final do Século XIX, o branco ganha mais uma interpetração: a idéia de luz, e a noiva agrega ao seu traje a flor de laranjeira, sinônimo de fertilidade. 

O estilo Liberty impôs que a noiva fosse uma flor: pura como o lírio, nobre como a rosa, delicada como a margarida, apaixonante como a orquídea. Nas mãos um buquê de flores colhidas no dia. A noiva que melhor representa este período foi a princesa Sissi, que se tornou Imperatriz da Áustria ao se casar com Francisco José, em 1854. 

Imperatriz Sissi, que teve a sua vida encenada em um dos maiores clásicos de Hollywood, o filme “Sissi, a Imperatriz”, de Ernst Mariscka

“No século XX o traje nupcial acompanhou toda a evolução da moda, acompanhando o sistema de alta costura que vestiu todas as princesas do século e foi divulgado pelas revistas e figurinos de moda e posteriormente pelo cinema e pela televisão. 

Se o vestido da noiva nasce como símbolo do patrimônio das famílias, da fertilidade da esposa e da paixão entre o casal, hoje estes símbolos estão sendo resgatados e projetados para o século XXI. Os atuais vestidos de noiva têm sido apresentados nas cores da paixão, da pureza e adornados de múltiplas flores remetendo a todo tipo de fertilidade amorosa. Mais do que nunca, estes vestidos têm sido apresentado com tecidos luxuosos, brilhantes e bordados e sua alta carga simbólica continua a representar o papel da mulher dentro da instituição do casamento, hoje vista não como representação do patrimônio familiar paterno, mas como uma parceira à altura das competências do marido como provedor.” (de Queila Ferraz

É com toda esta carga histórica, que há 54 anos o ateliê Maria Devoz Noivas vem construindo verdadeiras obras de arte em matéria de vestidos de noiva. A noiva Maria Devoz é clássica, chique, elegante, uma verdadeira rainha em seu dia de deslumbre. 

A elegância e o glamour da noiva em um vestido Maria Devoz

 

P.S.: Aguardem que nós próximos posts falaremos das noivas que marcaram época no Século XX.

Escrito por: Suzy Devoz
29 abr 10

Homenagem

                                                                                                                                   

Meu grande incentivador para que o blog acontecesse, meu querido irmão Saulo Devoz – aqui com apenas 3 anos aninhos, apesar de nossa grande diferença de idade sempre motivando-me a ingressar no mundo da net.

Ufaaaa… nego, até que enfim o blog saiu!

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